quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Entulho

Um entulho de palavras se formaram
O tempo foi o encarregado de amontoá-las 
De modo que agora ficou tudo tão escondido
Tudo tão embutido
Palavra dentro de palavra
que não se enxerga quase nada

Um "a" aqui, outro ali
Uma frase mal acabada
Palavras que não foram ditas
Palavras que mereciam ser escritas
E agora são sucata

O restante de dias fatídicos
que deveriam trazer consigo
a inspiração que me faltava
Parece que se tornaram um peso cansativo
que de tanto pesar,
derrubava

Derrubou-se cada vogal e consoante
que deveria formar o restante
dessa rima bem intencionada
Entulhou-se cada sentido
das palavras que haviam se perdido
para essa obra não terminada

Aguardo neste abrigo
o dia de reconstruir cada frase quebrada
que o tempo, meu velho inimigo,
fez questão de encobrir com mais de uma camada
Camadas de superficialidades mais rígidas que pedra
Ironia desse tempo
Esperar esse dia é o que me resta.


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Perdoe minhas viagens


Hoje venho por meio desse recadinho dizer que estarei de volta com publicações mais presentes. Admito que estive ausente por tanto tempo que nem parece que esse blog é meu... Mas quero fazer de tudo para mudar isso.

Esse foi um ano meio conturbado no que se refere à minha vida acadêmica e, juntando isso à minha procrastinação, não poderia sair coisa boa, né? :D
Estive ausente por meses e sim, eu sei que isso não é desculpa, poderia ter escrito nem que fosse uma frase, mas eu não sou assim, não funciono assim. Minhas engrenagens só permitem uma fase de cada vez. Só funciono do jeito que quero sem pressões, imposições. Neste momento quero que essa fase seja aqui no blog, o lugarzinho mais aconchegante no meu mundo todinho.

Eu sou uma amante filha da mãe. Prometo amar você para sempre e sumo. Desculpe, mas sou assim, meu querido blog. Espero que você possa aceitar meu jeito louco de viver e perdoar as viagens alucinantes dentro da minha cabeça que só me permitem um lugar de cada vez. Faço questão de dizer que a cada lugar que vou lembro de você, latejando em minha cabeça como uma goteira da pia de uma cozinha velha (isso soou ruim). Você sempre está lá no fundo, no canto da sala, esperando até que eu me dê conta de onde você está e eu finalmente te encontrei - de novo.

Esse ciclo deu a volta novamente e agora é só seu.

Amo você.

Att, GSS.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Evidências - Parte 3

Parte 1
Parte 2

Cheguei à delegacia por volta das duas horas da manhã. Me fizeram as mesmas perguntas que haviam feito antes, mas agora em um tom mais agressivo. Pareciam querer me pressionar a confessar logo alguma coisa. Ou, talvez, eles esperassem que minha reação fosse outra ao saber que o sangue encontrado no quarto de Julia era dela mesmo. Acho que queriam que eu gritasse, chorasse ou coisa do gênero, mas não fiz. Eu fiquei lá, sentada naquela cadeira fria olhando as bolhas de café da cafeteira estourarem. Devem ter estranhado minha reação.

Humberto não estranhou. Ele sabe que já passei por aquilo antes. Sabe como lidei com aquilo tudo. Ele era meu vizinho na época em que minha mãe foi morta em casa. Foi o pai dele que me encontrou, em estado de choque, observando o líquido vermelho que percorria pelo o chão da sala. Eles viram como fui forte, apesar de tudo. Então ele não esperaria menos de mim agora.

- Ela está em choque. - A policial que estava com o delegado em minha sala, disse baixinho a outro policial. Ela pensou que eu não ouviria.

Eu não estava em choque. Não agora. Eu estava tentando me concentrar. Me lembrar de qualquer detalhe que antes eu não tinha percebido. Não seria chorando que eu conseguiria.

Os dois policiais saíram da sala por um momento e deixaram Humberto e eu a sós.

- Você acha que ela está morta?

- Não sei, Aila... - Ele olhou para baixo. Faz isso quando está mentindo.

O delegado voltou com os papéis do nosso interrogatório para que nós assinássemos. Eu olhava para Humberto e via nele um desconhecido.

- Ela tá morta? - O delegado olhou para mim, surpreso.

- Ainda não sabemos. As buscas ainda continuam. - Disse enquanto organizava os papéis na mesa.

- Seja sincero delegado, você acha que tem possibilidades de Julia ainda estar viva? - Ele recuou. - Pode ser sincero.

- Senhora, pela quantidade de sangue extraído e a altura que as manchas chegaram no guarda-roupa, tudo indica que ela perdeu muito sangue. - Eu não fiz mais perguntas.

Nós terminamos de assinar os papéis e saímos da sala de interrogatório para a de espera.

Amélia já estava sentada lá, sem Daniel. Ele ainda estava em uma outra sala com uma psicóloga e um policial. Acho que estavam tentando ver se ele falava algo ou queriam ele longe de nós.

Amélia parecia inquieta, balançava a perna direita constantemente e respirava rápido. Ainda não olhava para mim. Notei ela olhar para os sapatos de Humberto duas vezes. Eles estavam sujos.

- Quando vou poder ver meu filho? - Eu disse à policial que estava ao meu lado.

- Eles já estão acabando, senhora Rabello.

Ficamos por, mais ou menos, uma hora esperando até que Daniel saiu da sala. Ele parecia abatido. Correu quando nos viu, mas foi em direção à Amélia. Ela o abraçou forte.

O delegado apareceu logo atrás dizendo que precisava falar conosco novamente. Fomos até ele.

- Daniel disse que a sua tia Julia foi quem o colocou para dormir. Ele disse que não lembra de ter visto a senhorita Queiroz em momento nenhum depois que vocês saíram. Ele não escutou nada. - Ele respirou fundo. - Ele disse que dormiu em sua cama e acordou na sala no escuro.

- Nosso filho é sonâmbulo. Já o encontramos em várias partes da casa durante à noite. - Humberto disse. - Ele nunca lembra como foi parar nos lugares.

- Entendo.

- O senhor já tem mais alguma informação sobre o que aconteceu? - Eu perguntei.

- Infelizmente, sim. - Ele passou a mão na testa. - Encontramos mais sangue na casa. - Eu fechei os olhos e respirei fundo. - As marcas foram limpas também. Elas vão do quarto ao fim da escada. Depois são pequenas manchas, provavelmente gotas, que vão até à entrada principal. - Ele olhou para mim. - Tudo indica que ela subiu em algum carro ou...

- Foi colocada lá. - Eu terminei a frase.

- Estamos verificando as marcas de pneus recentes e olhando as câmeras de segurança da redondeza. - Ele pôs a mão em meu ombro. - Nós vamos encontrá-la.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Evidências - Parte 2

Parte 1

Não consigo me lembrar muito bem o que houve depois que vi a pulseira. Não conseguia pensar em nada além de Julia. Eu estava em uma espécie de nostalgia horrível onde eu revivia tudo que aconteceu com a minha mãe. Estava acontecendo tudo de novo.

Humberto me levou até embaixo a fim de recebermos os policiais. Eram muitos. Trouxeram cães farejadores e lanternas. Eu observava aquilo e agradecia a Deus por ter me casado com o advogado mais influente da cidade. Isso nos dá alguns privilégios.

Depois de algum tempo, enquanto os policiais vasculhavam os derredores da casa, o delegado começou a nos fazer perguntas.

- Julia estava pensando em fugir de casa? Talvez com algum namorado?

- Em absoluto! - Eu disse. - Ela nunca sairia de casa sem nem ao menos nos avisar. Ela não é assim...

- Eu entendo, senhora Rabello. Só estou fazendo perguntas padrões para eliminar hipóteses. Alguns jovens gostam de dar susto à família. - Ele olhou para Humberto. - Quem estava em casa enquanto vocês não estavam?

- Nosso filho Daniel e sua babá, Amélia. Os outros empregados estavam de folga.

- Podem chamar os dois?

- Sim. - Humberto subiu e me deixou com o delegado e outra policial que estava com ele.

- A senhora sempre se deu bem com sua irmã?

- Sim. Somos muito unidas. Ela me considera como uma mãe, porque nossa mãe faleceu quando ela era bem nova e eu quem cuidei dela desde então.

- Entendo. Quando chegou em casa notou algo estranho?

- Sim. Meu filho estava dormindo no chão com o cachorro e as luzes estavam apagadas. A casa estava silenciosa e não é costume de Julia dormir cedo. Subi as escadas, ela não estava no quarto. Senti um cheiro de cloro forte lá, eu sabia que tinha algo errado a partir daí.

- Por que não nos chamaram logo?

- Humberto disse que era pra termos certeza que ela não tinha saído com alguma amiga, então ligamos para todas, mas nenhuma tinha conversado com ela sobre sair. Ele procurou pela casa de novo e eu voltei ao quarto. Eu notei que faltava um tapete beje que fica ao lado da cama e encontrei a pulseira de Julia ensanguentada próxima à cama.

- A senhora encostou na pulseira?

- Não. Nem Humberto. Ele disse que poderiam ter digitais nela.

- Ele fez bem. A perícia já está analisando o local. - Quando ele acabou de falar, Humberto chegou com Amélia e Daniel, que estava em seu colo. Eu quis pegá-lo mas ele quis ficar com ela.

- Pode falar seu nome completo por favor? - O Delegado começou.

- Amélia Cristina Queiroz.

- Ouviu ou viu alguma coisa estranha essa noite?

- Sim, ouvi um barulho de carro por volta das 22 horas. Achei que fossem os patrões, mas eles chegaram às 23:30 horas. - Olhei para Amélia. Ela havia mentido, mas será que para mim ou para o delegado?

- Mais alguma coisa estranha?

- Não, senhor.

- Tem certeza? Qualquer mínimo detalhe pode ser importante.

- Bom, eu ouvi a senhorita Julia ao telefone um pouco depois que os patrões saíram.

- O que ela disse?

- "Queria te ver hoje" ou algo assim... Não lembo direito. - Eu franzi o cenho.

- Sabe se ela tinha algum namorado?

- Acho que sim. - Eu a olhei boquiaberta.

- Eles poderiam estar juntos agora? - Ela olhou por um segundo para Humberto e abaixou a cabeça.

- Si-sim.

- Como você pode ter certeza disso, Amélia? Há pouco tempo atrás você tinha dito que não tinha visto nada e agora está insinuando que minha irmã fugiu com algum homem!? - Eu gritei com ela. Ela arregalou os olhos e abaixou a cabeça. Como ela teve coragem de dizer aquilo?

- Aila, ela só está falando o que viu... Ela não deve ter falado antes para não te decepcionar. - Eu olhei para Humberto sem acreditar no que tinha acabado de dizer.

- Vamos ter calma, senhora Rabello. - O delegado nos interrompeu. - Esse não é o momento para discussões. Todos os detalhes são importantes quando uma pessoa desaparece. - Ele respirou profundamente. - Veja bem, alguns jovens fogem de casa, não é culpa da família a maioria das vezes...

- Ela não saiu porque quis! Vocês esqueceram da pulseira que eu encontrei? Ela estava com sangue!

- Nós não esquecemos. Só estamos tentando entender o que aconteceu essa noite. Os detalhes da senhorita Queiroz são cruciais para isso. - O delegado disse olhando para Amélia. - Depois continuaremos com mais perguntas caso sejam necessárias. Por agora vamos fazer perguntas ao menino, mas só os pais ficam dessa vez. - Ela acenou positivamente com a cabeça e entregou Daniel ao Humberto. Ela não olhou em nenhum momento para mim.

- Oi, meninão! - Ele disse entusiasmado. Parecia gostar de crianças. - Você pode dizer pra o tio se viu alguma coisa estranha quando seus pais saíram?

Daniel olhou para mim e para Humberto, abaixou a cabeça e a apoiou no ombro dele.

- Vamos, querido. A Titia Julia não tá em casa e queremos saber se você viu ela sair. -  Ele não disse nada. - Amor, fala com a mamãe... - Ele abraçou o Humberto.

- Ele não quer falar, Aila. - Humberto disse ríspido. - Melhor eu levá-lo pra cima e depois nós tentamos. Eu não acho que ele vai ajudar muito.

- Não. Ele vai ficar aqui conosco. - Eu não queria mais ele próximo à Amélia, não depois dela mentir descaradamente.

- Aila, aqui embaixo está cheio de policiais, pessoas estranhas. Não é atoa que ele não está se sentindo à vontade. Melhor nós o levarmos para o seu quarto. Ele deve está cansado. - Ele esperou uma reposta minha, mas eu não dei. - Tudo bem. Vou ficar com ele lá. Está bem assim? - Ele levantou sem nem ao menos esperar minha resposta.

Enquanto ele subia com Daniel em seu colo, peritos desciam vestidos de branco com maletas quase prateadas. Estavam sérios.
Chamaram o delegado e, quando ele se aproximou deles, cochicharam algo olhando para mim. Ele voltou olhando para o bloco em suas mãos, inexpressivo. Quando se sentou novamente, disse:

- Encontramos evidências que indicam que alguém limpou o local recentemente. O guarda-roupa e o chão estão cobertos por manchas de sangue que ficaram visíveis através de nossos equipamentos. Colhemos amostras de cabelo de Julia de sua escova e vamos fazer exames pra confirmar se o sangue do local é dela. - Fez uma pausa, esperando uma reação minha. - Precisamos que vocês nos acompanhem à delegacia. - Ele olhou mais atentamente para mim. - Senhora Rabello? - Eu olhava para ele, mas não o via. Não piscava. Não sentia. - Consegue me entender?

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Sessão Nostalgia: Palavras

Tudo bem com você? Espero que sim!
Escrevi essa poesia há tanto tempo... Apesar dela não estar descrita de uma forma que escreveria se fosse hoje, sinto-me feliz pois foi uma das pioneiras nesse meu longo percurso no mundo dos poemas.
Não tenho muito o que falar sobre, pois ela fala por si só. Então, é isso. Espero que gostem!


domingo, 18 de junho de 2017

Rego

Eu rego essa saudade
que me invade por inteiro
esperando com ansiedade
que cresça e, com o tempo, 
desapareça
Caia aos pedaços,
galho a galho,
perca sua beleza

Até que por fim 
só reste a mim
em meio ao campo recém adubado
pronto pra ser plantado
e, quem sabe, ser preenchido
por flores de todos os tipos
até que se torne um lindo jardim...




quarta-feira, 14 de junho de 2017

Depois

Duas semanas depois de uma crise de ansiedade

Esse é o pior horário. Onde as engrenagens do meu corpo vão desacelerando e a minha mente começa a silenciar.
Os pensamentos corriqueiros vão perdendo lugar para os mais profundos e, quando me dou conta, estou paralisada.