sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Serei eu bela ou feia aos outros olhos?

- O que você tem, Isa?
- Nada, Vovó. - Isabela abaixou a cabeça.
- Me fala. O que você tem? - Segurei em seu rosto e o levantei.
- Uns problemas na escola...
- O que houve?
- São umas meninas da minha sala. Elas disseram que eu sou feia.
- O quê!? Elas disseram isso?
- Sim. Eu só não falei nada antes, porque elas só estavam dizendo a verdade... - Abaixou a cabeça novamente.
- Verdade!?
- Sim, Vó. Que eu sou feia. - Eu abaixei e a olhei nos olhos.
- Escute! Nunca deixe ninguém dizer que você é feia! Você é linda!
- Mas é a verdade! Eu sei que eu sou feia.
- E se eu te mostrar o contrário?
- Eu duvido, Vovó.
Pedi para que Isa fosse tomar banho e almoçar, para que depois eu pudesse contar uma história que talvez a faria pensar diferente... Assim que acabou, a supliquei que não me interrompesse por nada, e mesmo com muita relutância, ela disse que assim faria.


*

Ela era magra com uma estatura mediana; tinha cabelos loiros cumpridos até a cintura; um rosto límpido e um pouco rosado; dois olhos verdes bem claros; boca carnuda; nariz levemente arrebitado; orelhas, que de tão pequenas quase não eram vistas; e os dentes, mais alinhados que um trilho de um trem. Poderia facilmente ser considerada a mais linda, não é?

Na verdade, não era. Ela era considerada a aberração do seu planeta.

domingo, 20 de setembro de 2015

Sei lá

Sei lá. 
Era assim que eu me sentia: sei lá. 
Todos os dias vivia as mesmas coisas, cumprimentava as mesmas pessoas com as mesmas palavras, sorria automaticamente... Tudo igual. 
Monotonia? Era meu segundo nome. O meu primeiro nome era "Muita". Sim, eu me sentia assim a todo momento. Se eu era feliz? Acho que é uma pergunta retórica... Me senti assim por tanto tempo que nem ao menos me lembro como isso tudo começou e, sinceramente, nem quero lembrar... Mas não estou aqui para contar como eram meus animados dias e também, nem teria muito o que contar. 

Gostaria de compartilhar o primeiro dia atípico da minha vida.

Em um dia especialmente único aconteceu algo que eu não esperava. Seguia a minha rotina "sei lá" como sempre. Acordei, fiz minha higiene pessoal, tomei café e saí de meu apartamento às 7:30 h como de costume. Porém, ao cumprimentar o ascensorista, percebi que não era o Senhor José como das outras vezes, e era sim o meu vizinho a quem nunca tinha falado, só visto. Achei estranho, então perguntei:
- Bom dia. Onde está o Senhor José? - Ele me olhou, sorriu só de um canto do rosto e depois abaixou a cabeça. Então respondeu:
- Bom dia. Ele teve que ir embora, pois sua esposa passou mal de novo. - Eu me assustei, pois nem sabia da existência dessa esposa e nem que ela tinha passado mal antes. Fiquei triste, mas a curiosidade me fez perguntar:
- Hum... Que pena. Por que você está aqui e não o outro ascensorista?
- Eu me ofereci para ficar no lugar dele enquanto o outro não chegasse para que ele pudesse ir logo. - Ele disse. Quando acabou de falar, tudo ficou escuro e ouvimos um barulho.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O lado bom da chuva - Parte 3


O encontro

Desde que a convidei para almoçar, aguardei ansiosamente a chegada de sábado para finalmente encontrá-la, a minha linda Roberta (sim, eu sei que ela ainda não é minha Roberta, mas logo será - assim espero).

Como hoje não trabalho, pensei em sair para comprar flores antes de encontrá-la. Fui a várias floriculturas de onde eu moro procurando as flores certas e nenhuma das que eu via se parecia com ela. Nenhuma era tão bonita.
Depois de um bom tempo de procura percebi que já estava atrasado (para variar) e acabei não levando nenhuma flor. Corri em direção ao ponto de ônibus e esperei... esperei... esperei... e nada do ônibus passar. Quando ele por fim estacionou para eu subir, já haviam se passado 34 minutos e eu só tinha 50 minutos restantes para chegar ao restaurante que ela escolheu. Até daria tempo de chegar, se não tivesse ocorrido um acidente no caminho que criou um engarrafamento.
Percebi ali que seria um dia sem sorte.

Cheguei na rua do restaurante depois de 1 hora no trânsito e corri em direção a ele - como se isso fosse diminuir muito o meu atraso -, encontrei Roberta sentada no chão em frente a porta do restaurante que estava fechado. E apesar de minha surpresa ao encontrá-la no chão, me perdi em outros pensamentos mais importantes como, por exemplo, o fato dela ser ainda mais linda do que me lembrava e como eu adorava, a partir daquele momento, vê-la usando vermelho... Só então senti que era necessário dizer algo - e não só ficar olhando -, então falei:

sábado, 5 de setembro de 2015

O lado bom da chuva - Parte 2


Dia ruim? Talvez

Eu estava caminhando quando, do outro lado da avenida, vi um "chapéu" semelhante... Tentei olhar com mais cuidado para que não fosse um engano e, felizmente, não era. Roberta estava do outro lado da rua andando rápido em meio às pessoas.
Comecei a gritar, chamá-la e depois a correr. Atravessei na faixa de pedestres e estava ficando bem próximo a ela. Consegui alcançá-la e, quando eu ia colocar a mão em seu ombro, ouvi um barulho muito alto que fez com que... eu acordasse. 
Sim, era meu despertador. E para piorar a situação, eu caí da cama ao tentar desligá-lo.
“Ótimo jeito de começar o dia, Caio”, falei para mim mesmo.

Essa foi a segunda vez que sonhei com Roberta desde que nos vimos pela primeira/única/última vez, e isso faz duas semanas. Acho que nunca mais a verei, infelizmente. Tenho que me lembrar da próxima vez  de anotar o número da garota e não o contrário. Mas, também, eu fui muito sonhador em achar que aquela menina linda ligaria para mim. A vida tem dessas coisas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O lado bom da chuva


O dia

Todas as minhas maiores alegrias aconteceram enquanto estava chovendo.
Para se ter uma ideia, enquanto eu tentava fugir de uma tempestade, em uma tarde de quarta-feira, entrei em uma loja inaugurada há alguns meses a fim de me afugentar. Como a chuva estava demorando a passar, decidi comprar alguma coisa lá.
Comprei um chiclete e, passando pelo caixa, uma música começou a tocar muito alto e muitas pessoas ficaram em volta de mim; o gerente, que era uma delas, disse que eu era o cliente 10.000 e portanto, ganharia R$1.000.
Sim, eu ganhei R$1.000 comprando um chiclete.
Alguns meses depois, numa segunda-feira qualquer, por volta das seis horas da tarde, me deparei com um dos piores temporais que já tinha visto e, para melhorar a situação, enquanto eu caminhava na chuva meus sapatos ficaram escorregadios. Tão escorregadios  que acabei caindo no meio da praça por onde passava todos os dias na volta para casa, e antes que eu pudesse esbravejar toda a minha raiva, ainda no chão, avistei uma bolsa embaixo de um dos bancos da praça. Peguei-a e olhei procurando documentos, porém não havia nenhum.
O que tinha dentro da bolsa? Dois ingressos de um show da minha banda favorita, que por sinal já estavam esgotados há meses. 
E sim, foi o melhor show da minha vida.

*

Eu poderia contar aqui todas as façanhas que as chuvas, das mais bravas às mais mansas, fizeram por mim, todavia contarei a mais importante: o dia em que conheci a menina dos olhos de avelã.

*


Estava voltando do trabalho, como fazia todos os dias, quando a chuva começou a cair. Começou devagar e eu pensei que daria tempo de chegar ao ponto de ônibus sem me molhar muito, mas eu estava errado. 
Quando virei a esquina da rua onde estava, caiu tanta água que pensei que eu desmancharia.
Tentei correr, mas não conseguia ver direito; tentei procurar algum lugar para ficar, mas as lojas já haviam fechado. Foi então que decidi aceitar o meu "destino" e ir caminhando na chuva mesmo. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Montanha Russa

Olá! Estou aqui, assim como você, procurando palavras.

Um mini texto escrito por mim para aqueles que estão passando por um momento difícil. Espero que seja o que estava procurando.


Montanha Russa

Às vezes, há momentos em que pensamos em desistir de tudo. Problemas familiares, desentendimentos entre amigos, uma vida profissional/estudantil não tão promissora ou um amor turbulento faz-nos pensar que há algo de errado em como estamos vivendo. Entretanto, existe uma frase que escutei há algum tempo que diz: "Depois de uma noite escura, vem um lindo amanhecer.", e mesmo que ao amanhecer você se depare com a chuva, pode ser que demore dias, mas o sol sempre estará de volta... Assim é a vida, uma incrível montanha russa, que nos momentos em que estamos caindo nos dá um frio na barriga e nos faz pensar:"E se eu cair?"; e logo depois estamos lá em cima de novo com a linda vista de todo o parque com aqueles rostos felizes. Então, não se deixe levar e nem afundar pelos momentos difíceis, sinta-se grato pois tem a oportunidade de vencer cada um dos obstáculos e aprender cada vez mais a como ser feliz.
          
           Graciele Santana




Estou imensamente feliz por alguém estar lendo isso. Tenha um lindo(a) dia/tarde/noite e principalmente, sorria! :)