quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O lado bom da chuva


O dia

Todas as minhas maiores alegrias aconteceram enquanto estava chovendo.
Para se ter uma ideia, enquanto eu tentava fugir de uma tempestade, em uma tarde de quarta-feira, entrei em uma loja inaugurada há alguns meses a fim de me afugentar. Como a chuva estava demorando a passar, decidi comprar alguma coisa lá.
Comprei um chiclete e, passando pelo caixa, uma música começou a tocar muito alto e muitas pessoas ficaram em volta de mim; o gerente, que era uma delas, disse que eu era o cliente 10.000 e portanto, ganharia R$1.000.
Sim, eu ganhei R$1.000 comprando um chiclete.
Alguns meses depois, numa segunda-feira qualquer, por volta das seis horas da tarde, me deparei com um dos piores temporais que já tinha visto e, para melhorar a situação, enquanto eu caminhava na chuva meus sapatos ficaram escorregadios. Tão escorregadios  que acabei caindo no meio da praça por onde passava todos os dias na volta para casa, e antes que eu pudesse esbravejar toda a minha raiva, ainda no chão, avistei uma bolsa embaixo de um dos bancos da praça. Peguei-a e olhei procurando documentos, porém não havia nenhum.
O que tinha dentro da bolsa? Dois ingressos de um show da minha banda favorita, que por sinal já estavam esgotados há meses. 
E sim, foi o melhor show da minha vida.

*

Eu poderia contar aqui todas as façanhas que as chuvas, das mais bravas às mais mansas, fizeram por mim, todavia contarei a mais importante: o dia em que conheci a menina dos olhos de avelã.

*


Estava voltando do trabalho, como fazia todos os dias, quando a chuva começou a cair. Começou devagar e eu pensei que daria tempo de chegar ao ponto de ônibus sem me molhar muito, mas eu estava errado. 
Quando virei a esquina da rua onde estava, caiu tanta água que pensei que eu desmancharia.
Tentei correr, mas não conseguia ver direito; tentei procurar algum lugar para ficar, mas as lojas já haviam fechado. Foi então que decidi aceitar o meu "destino" e ir caminhando na chuva mesmo. 


Naquele momento uma menina de cabelos dourados veio em minha direção com um guarda-chuva vermelho e, juro, ela era o ser mais lindo que já tinha visto. Confesso que fiquei meio estático observando-a chegar próximo a mim e, quando ainda tentava me recompor de meu "transe", ela disse:
- Quer dividir o chapéu comigo? - Eu pensei em rir, porque não via nenhum chapéu ali e sim um guarda-chuva, mas respondi:
- Claro! Estou encharcado! Obrigado! - Ela veio em minha direção e fomos caminhando juntos. Eu me perguntava o tempo todo que menina ofereceria ajuda a um estranho na rua, mas meus pensamentos se voltavam principalmente aos olhos dela que pareciam me hipnotizar. Acho que ela percebeu, pois logo começou a falar um pouco tímida:
-Dia ruim pra esquecer o chapéu, não? - Eu ri.
- Do que está rindo? - Ela perguntou.
- É que você falou "chapéu" e não guarda-chuva. - Eu respondi, ela riu e então disse:
- Acho que é culpa da minha avó. - Nós dois rimos, então eu falei:
- Por quê?
- Porque sempre a ouvi chamar assim. - Ela disse.
- Hum... Faz sentido. Sempre herdamos algumas frases da família. Eu tenho algumas, mas só uso às vezes. Se eu falasse algumas delas no trabalho ririam de mim até o outro dia. – Ela sorriu. Então, ela disse:
- Mas por quê? Não há nada de mau em falar frases assim... Hum... Engraçadas? É. Engraçadas!
- É verdade, mas quando se é jornalista é mais complicado.  - Eu respondi sorrindo.
- Ah! Jornalista! Que legal! - Ela disse.
- Quer dizer, estagiário, na verdade. - Eu ri. Enquanto isso, nós estávamos chegando perto do ponto de ônibus e não podia perder a chance de saber quem era aquela menina de olhos doces. Perguntei:
- Qual é o seu nome?
- Roberta. E o seu? - Ela respondeu.
- Caio. Bom, na verdade é Antônio Caio, mas não gosto de Antônio. - Eu disse.
- Acho Antônio um nome adorável. - Ela disse. E logo depois deu sinal a um ônibus. 
Nesse momento quis ser mais rápido, então peguei de sua mão o telefone e digitei o meu. Eu disse:
- Espero que ligue para eu agradecer a "carona". - Então ela sorriu e subiu dando um acenando com a mão.
Desde aquele momento não tiro meu celular de perto de mim e não vejo a hora de ouvi-lo tocar e ser a menina dos olhos de avelã.






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Eu comecei a escrever esse texto hoje em homenagem à minha amiga Fabiane Mello do blog ChamandoChuva (por isso, a chuva como foco rs). Espero que tenham gostado (principalmente a Fabi ><). E se quiserem que eu continue é só deixar nos comentários...


Estou imensamente feliz por alguém estar lendo isso. Tenha um lindo(a) dia/tarde/noite e principalmente, sorria! :)

5 comentários:

  1. Ai meu Deus, que lindo. Uma história em homenagem a mim e ao meu blog. *-*
    Claro que precisa continuar. Preciso saber se ele recebe a ligação da "menina dos olhos de avelã".

    Ameeeeei amiga. Continua... <3

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