sábado, 12 de março de 2016

À deriva

Depois daquela grande e turbulenta tempestade que, pelo o que parecia, erradicou todos aqueles que a acompanhavam, só o que restou para ela em meio àquele mar, foi um barquinho pequeno e a sua vontade de não estar ali naquele momento.

Deitada e encharcada observou o céu límpido. Não o reconhecera mais. "Onde você estava ontem à noite?!", gritava em direção à imensidão azul pensando em como um dia a mais teria feito uma enorme diferença.
Talvez ela já estivesse no lugar onde planejava chegar se não tivesse se deparado com a tempestade. Talvez estivesse com seus queridos amigos se tivesse recusado viajar sozinha "em busca de alguma coisa que ela ainda não descobrira". Ou talvez, ela estivesse bem se aceitasse a monotonia que sua vida proporcionava antes de tudo isso acontecer... Quem vai saber?


Só o que ela sabia é que estava sozinha e era tudo que ela não queria que acontecesse.

Depois de um tempo a pensar, se sentou, olhou em volta e nada. Somente a cor, que antes era a sua preferida, a cercava. O azul, que há alguns dias ela olhava com amor, ali olhava com pesar. E a calmaria, que ela tanto buscava distância, agora era a sua única companhia em meio àquele mar outrora bravíssimo.

Pensou em todos os momentos que ela viveu e como foram bons e felizes apesar de tudo. Sorriu quando se deu conta que quando estava vivendo os mesmos murmurava sempre, e agora estava em meio às súplicas querendo-os de volta. "Engraçado como os momentos adversos nos fazem refletir sobre tudo", pensava.

Ficou de pé e percebeu, de fato, sua horrível situação. Não havia realmente nada. Nem os destroços do navio, nem corpos, nenhum sinal de terra à vista e, com isso, nem o restante da sua esperança de sair dali. 

Estava só e isso era aterrorizante.

Porém, mais aterrorizante era não se lembrar como parou naquele barco e o porquê ela estava sozinha nele... Tudo estava muito confuso em sua cabeça. Apenas flaches de imagens de pessoas correndo para todos os lados e as ondas cada vez maiores que cobriam o navio.
"Como parei aqui?", questionava-se. Entretanto,  isso não importava mais. O que importava agora era saber como sair dali...

Como sair de um lugar onde nada se move? Como movimentar um barco sem remos ou sem um motor? Como se mover sem ondas e/ou ventos fortes? Perguntas como estas faziam ela querer a tempestade de um dia atrás de volta onde poderia sair daquele local que não aguentava nem mais olhar ou mesmo ter o fim dos tripulantes que não tiveram a mesma "sorte" que a dela.

De tanto pensar nem notou que ainda estava em pé e exausta. Resolveu, então, sentar. Colocou os joelhos próximos aos seios e os abraçou. Abaixou o rosto e começou a chorar, soluçar, gritar de dor. Aquela dor na alma que chega a doer o coração de verdade. Aquela dor que faz você preferir tudo, até a morte, menos estar sentindo-a. Ficou assim por minutos que pareceram séculos. 
É, a tristeza parece fazer o tempo não passar.

Quando viu, já estava deitada novamente esperando algo que ela mesma desconhecia. Depois de um bom tempo, lembrou de uma música que ouvia quando era criança e começou a cantar:

- Rema, rema, rema o barco num dia tão risonho... - Começou a rir com a letra da música até que ouviu algo bater no seu barquinho.

Quando foi em direção ao barulho e se deparou com aquele pedaço de madeira chocando-se com o barco, sorriu como uma criança. Pegou a madeira e colocou dentro do barco junto com a sua fé que voltara. 
Ouviu o mesmo barulho, só que do outro lado... Ficou eufórica. Outro pedaço de madeira, maior que o anterior.
"As ondas voltaram!", gritou. E depois mais barulhos... Ela parou para escutar. Mais madeiras, roupas, pedaços de móveis. Tudo isso estava passando por ela e se chocando. 

"Tudo está passando por mim.", constatou.

Foi assim que ela percebeu.
Seu barco que estava parado e não as ondas que estavam "fracas demais"...
Ela viu que, em uma das cordas do barco, algo muito pesado - não tanto a ponto de afundá-lo - estava preso e fazendo papel de âncora sem ela perceber.

Ela se sentiu uma burra. 
Começou a rir e depois a chorar desamarrando a corda com muita dificuldade. 
Depois de solto, sentiu seu barco se mexer como em nenhum instante antes e isso a deixou aliviada. Ele seguiu junto com os destroços e ela foi pegando tudo aquilo que podia nesse trajeto.

Sua esperança havia voltado, pois agora tinha a chance de chegar a algum lugar como queria desde o início.

Agora, ela finalmente estava à deriva. 






Esse texto reflete como me sinto... 

Por isso não estou tendo inspiração nos últimos tempos. Estou à deriva. :/ E não sei aonde estou indo e se vou chegar lá.

A minha "caixola" está um pouco bagunçada, mas estou fazendo de tudo para colocá-la no seu devido lugar.

Espero que tenha paciência comigo e entenda o que estou sentindo ultimamente.

Espero que tudo isso passe logo rs

Ps.: Para quem não sabe, deriva é o desvio da rota de um navio ou de uma aeronave causada por ventos ou correntes... Sim, eu olhei no Google.










Estou imensamente feliz por alguém estar lendo isso. Tenha um(a) lindo(a) dia/tarde/noite e principalmente, sorria! :)

6 comentários:

  1. Todo mundo já passou por um momento assim, sem rumo ! Todos nós somos um barco , e um barco por si mesmo não consegue ir para lugar algum ,é apenas um barco,se não tiver alguém para estar no comando ,o barco vai pra lá e pra cá conforme os ventos sopram,bate nas rochas , quebra , é um perigo deixar um barco sem quem o condusa. No meu caso quem conduz o barco (eu(
    ) é Jesus ,e pode ter certeza que ele cuida muito bem e conduz para um bom destino,por mais que aconteça algumas tempestades , sei que não vou naufragar pois ele está lá.

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  2. A forma que você escreve é sensacional! Sucesso

    irianneveloso.blogspot.com

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  3. Olá, Sara!
    Muito obrigada pelas palavras e por ter lido as minhas <3
    Beijos doces e volte sempre s2

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  4. Olá, Irianne!
    Você é uma fofa! *0* Sinto-me muito feliz por ter gostado da minha escrita e espero melhorar cada vez mais rs
    Sucesso também! Beijos doces e volte sempre s2

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  5. Sua rota esta bem definida, suas velas são fortes e grandes afim de captar a menor brisa, seu leme é resistente e vai te direcionar sempre para a rota desejada e sua bússola interior, essa tem direção certa, não tema!

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  6. Muito obrigada pelas palavras, teacheeeeeeeer *0*
    Volta sempre! Beijos

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Comenta o que achou que eu respondo na velocidade da luz! Beijos doces s2