terça-feira, 17 de outubro de 2017

Evidências - Parte 3

Parte 1
Parte 2

Cheguei à delegacia por volta das duas horas da manhã. Me fizeram as mesmas perguntas que haviam feito antes, mas agora em um tom mais agressivo. Pareciam querer me pressionar a confessar logo alguma coisa. Ou, talvez, eles esperassem que minha reação fosse outra ao saber que o sangue encontrado no quarto de Julia era dela mesmo. Acho que queriam que eu gritasse, chorasse ou coisa do gênero, mas não fiz. Eu fiquei lá, sentada naquela cadeira fria olhando as bolhas de café da cafeteira estourarem. Devem ter estranhado minha reação.

Humberto não estranhou. Ele sabe que já passei por aquilo antes. Sabe como lidei com aquilo tudo. Ele era meu vizinho na época em que minha mãe foi morta em casa. Foi o pai dele que me encontrou, em estado de choque, observando o líquido vermelho que percorria pelo o chão da sala. Eles viram como fui forte, apesar de tudo. Então ele não esperaria menos de mim agora.

- Ela está em choque. - A policial que estava com o delegado em minha sala, disse baixinho a outro policial. Ela pensou que eu não ouviria.

Eu não estava em choque. Não agora. Eu estava tentando me concentrar. Me lembrar de qualquer detalhe que antes eu não tinha percebido. Não seria chorando que eu conseguiria.

Os dois policiais saíram da sala por um momento e deixaram Humberto e eu a sós.

- Você acha que ela está morta?

- Não sei, Aila... - Ele olhou para baixo. Faz isso quando está mentindo.

O delegado voltou com os papéis do nosso interrogatório para que nós assinássemos. Eu olhava para Humberto e via nele um desconhecido.

- Ela tá morta? - O delegado olhou para mim, surpreso.

- Ainda não sabemos. As buscas ainda continuam. - Disse enquanto organizava os papéis na mesa.

- Seja sincero delegado, você acha que tem possibilidades de Julia ainda estar viva? - Ele recuou. - Pode ser sincero.

- Senhora, pela quantidade de sangue extraído e a altura que as manchas chegaram no guarda-roupa, tudo indica que ela perdeu muito sangue. - Eu não fiz mais perguntas.

Nós terminamos de assinar os papéis e saímos da sala de interrogatório para a de espera.

Amélia já estava sentada lá, sem Daniel. Ele ainda estava em uma outra sala com uma psicóloga e um policial. Acho que estavam tentando ver se ele falava algo ou queriam ele longe de nós.

Amélia parecia inquieta, balançava a perna direita constantemente e respirava rápido. Ainda não olhava para mim. Notei ela olhar para os sapatos de Humberto duas vezes. Eles estavam sujos.

- Quando vou poder ver meu filho? - Eu disse à policial que estava ao meu lado.

- Eles já estão acabando, senhora Rabello.

Ficamos por, mais ou menos, uma hora esperando até que Daniel saiu da sala. Ele parecia abatido. Correu quando nos viu, mas foi em direção à Amélia. Ela o abraçou forte.

O delegado apareceu logo atrás dizendo que precisava falar conosco novamente. Fomos até ele.

- Daniel disse que a sua tia Julia foi quem o colocou para dormir. Ele disse que não lembra de ter visto a senhorita Queiroz em momento nenhum depois que vocês saíram. Ele não escutou nada. - Ele respirou fundo. - Ele disse que dormiu em sua cama e acordou na sala no escuro.

- Nosso filho é sonâmbulo. Já o encontramos em várias partes da casa durante à noite. - Humberto disse. - Ele nunca lembra como foi parar nos lugares.

- Entendo.

- O senhor já tem mais alguma informação sobre o que aconteceu? - Eu perguntei.

- Infelizmente, sim. - Ele passou a mão na testa. - Encontramos mais sangue na casa. - Eu fechei os olhos e respirei fundo. - As marcas foram limpas também. Elas vão do quarto ao fim da escada. Depois são pequenas manchas, provavelmente gotas, que vão até à entrada principal. - Ele olhou para mim. - Tudo indica que ela subiu em algum carro ou...

- Foi colocada lá. - Eu terminei a frase.

- Estamos verificando as marcas de pneus recentes e olhando as câmeras de segurança da redondeza. - Ele pôs a mão em meu ombro. - Nós vamos encontrá-la.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Evidências - Parte 2

Parte 1

Não consigo me lembrar muito bem o que houve depois que vi a pulseira. Não conseguia pensar em nada além de Julia. Eu estava em uma espécie de nostalgia horrível onde eu revivia tudo que aconteceu com a minha mãe. Estava acontecendo tudo de novo.

Humberto me levou até embaixo a fim de recebermos os policiais. Eram muitos. Trouxeram cães farejadores e lanternas. Eu observava aquilo e agradecia a Deus por ter me casado com o advogado mais influente da cidade. Isso nos dá alguns privilégios.

Depois de algum tempo, enquanto os policiais vasculhavam os derredores da casa, o delegado começou a nos fazer perguntas.

- Julia estava pensando em fugir de casa? Talvez com algum namorado?

- Em absoluto! - Eu disse. - Ela nunca sairia de casa sem nem ao menos nos avisar. Ela não é assim...

- Eu entendo, senhora Rabello. Só estou fazendo perguntas padrões para eliminar hipóteses. Alguns jovens gostam de dar susto à família. - Ele olhou para Humberto. - Quem estava em casa enquanto vocês não estavam?

- Nosso filho Daniel e sua babá, Amélia. Os outros empregados estavam de folga.

- Podem chamar os dois?

- Sim. - Humberto subiu e me deixou com o delegado e outra policial que estava com ele.

- A senhora sempre se deu bem com sua irmã?

- Sim. Somos muito unidas. Ela me considera como uma mãe, porque nossa mãe faleceu quando ela era bem nova e eu quem cuidei dela desde então.

- Entendo. Quando chegou em casa notou algo estranho?

- Sim. Meu filho estava dormindo no chão com o cachorro e as luzes estavam apagadas. A casa estava silenciosa e não é costume de Julia dormir cedo. Subi as escadas, ela não estava no quarto. Senti um cheiro de cloro forte lá, eu sabia que tinha algo errado a partir daí.

- Por que não nos chamaram logo?

- Humberto disse que era pra termos certeza que ela não tinha saído com alguma amiga, então ligamos para todas, mas nenhuma tinha conversado com ela sobre sair. Ele procurou pela casa de novo e eu voltei ao quarto. Eu notei que faltava um tapete beje que fica ao lado da cama e encontrei a pulseira de Julia ensanguentada próxima à cama.

- A senhora encostou na pulseira?

- Não. Nem Humberto. Ele disse que poderiam ter digitais nela.

- Ele fez bem. A perícia já está analisando o local. - Quando ele acabou de falar, Humberto chegou com Amélia e Daniel, que estava em seu colo. Eu quis pegá-lo mas ele quis ficar com ela.

- Pode falar seu nome completo por favor? - O Delegado começou.

- Amélia Cristina Queiroz.

- Ouviu ou viu alguma coisa estranha essa noite?

- Sim, ouvi um barulho de carro por volta das 22 horas. Achei que fossem os patrões, mas eles chegaram às 23:30 horas. - Olhei para Amélia. Ela havia mentido, mas será que para mim ou para o delegado?

- Mais alguma coisa estranha?

- Não, senhor.

- Tem certeza? Qualquer mínimo detalhe pode ser importante.

- Bom, eu ouvi a senhorita Julia ao telefone um pouco depois que os patrões saíram.

- O que ela disse?

- "Queria te ver hoje" ou algo assim... Não lembo direito. - Eu franzi o cenho.

- Sabe se ela tinha algum namorado?

- Acho que sim. - Eu a olhei boquiaberta.

- Eles poderiam estar juntos agora? - Ela olhou por um segundo para Humberto e abaixou a cabeça.

- Si-sim.

- Como você pode ter certeza disso, Amélia? Há pouco tempo atrás você tinha dito que não tinha visto nada e agora está insinuando que minha irmã fugiu com algum homem!? - Eu gritei com ela. Ela arregalou os olhos e abaixou a cabeça. Como ela teve coragem de dizer aquilo?

- Aila, ela só está falando o que viu... Ela não deve ter falado antes para não te decepcionar. - Eu olhei para Humberto sem acreditar no que tinha acabado de dizer.

- Vamos ter calma, senhora Rabello. - O delegado nos interrompeu. - Esse não é o momento para discussões. Todos os detalhes são importantes quando uma pessoa desaparece. - Ele respirou profundamente. - Veja bem, alguns jovens fogem de casa, não é culpa da família a maioria das vezes...

- Ela não saiu porque quis! Vocês esqueceram da pulseira que eu encontrei? Ela estava com sangue!

- Nós não esquecemos. Só estamos tentando entender o que aconteceu essa noite. Os detalhes da senhorita Queiroz são cruciais para isso. - O delegado disse olhando para Amélia. - Depois continuaremos com mais perguntas caso sejam necessárias. Por agora vamos fazer perguntas ao menino, mas só os pais ficam dessa vez. - Ela acenou positivamente com a cabeça e entregou Daniel ao Humberto. Ela não olhou em nenhum momento para mim.

- Oi, meninão! - Ele disse entusiasmado. Parecia gostar de crianças. - Você pode dizer pra o tio se viu alguma coisa estranha quando seus pais saíram?

Daniel olhou para mim e para Humberto, abaixou a cabeça e a apoiou no ombro dele.

- Vamos, querido. A Titia Julia não tá em casa e queremos saber se você viu ela sair. -  Ele não disse nada. - Amor, fala com a mamãe... - Ele abraçou o Humberto.

- Ele não quer falar, Aila. - Humberto disse ríspido. - Melhor eu levá-lo pra cima e depois nós tentamos. Eu não acho que ele vai ajudar muito.

- Não. Ele vai ficar aqui conosco. - Eu não queria mais ele próximo à Amélia, não depois dela mentir descaradamente.

- Aila, aqui embaixo está cheio de policiais, pessoas estranhas. Não é atoa que ele não está se sentindo à vontade. Melhor nós o levarmos para o seu quarto. Ele deve está cansado. - Ele esperou uma reposta minha, mas eu não dei. - Tudo bem. Vou ficar com ele lá. Está bem assim? - Ele levantou sem nem ao menos esperar minha resposta.

Enquanto ele subia com Daniel em seu colo, peritos desciam vestidos de branco com maletas quase prateadas. Estavam sérios.
Chamaram o delegado e, quando ele se aproximou deles, cochicharam algo olhando para mim. Ele voltou olhando para o bloco em suas mãos, inexpressivo. Quando se sentou novamente, disse:

- Encontramos evidências que indicam que alguém limpou o local recentemente. O guarda-roupa e o chão estão cobertos por manchas de sangue que ficaram visíveis através de nossos equipamentos. Colhemos amostras de cabelo de Julia de sua escova e vamos fazer exames pra confirmar se o sangue do local é dela. - Fez uma pausa, esperando uma reação minha. - Precisamos que vocês nos acompanhem à delegacia. - Ele olhou mais atentamente para mim. - Senhora Rabello? - Eu olhava para ele, mas não o via. Não piscava. Não sentia. - Consegue me entender?

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Sessão Nostalgia: Palavras

Tudo bem com você? Espero que sim!
Escrevi essa poesia há tanto tempo... Apesar dela não estar descrita de uma forma que escreveria se fosse hoje, sinto-me feliz pois foi uma das pioneiras nesse meu longo percurso no mundo dos poemas.
Não tenho muito o que falar sobre, pois ela fala por si só. Então, é isso. Espero que gostem!


domingo, 18 de junho de 2017

Rego

Eu rego essa saudade
que me invade por inteiro
esperando com ansiedade
que cresça e, com o tempo, 
desapareça
Caia aos pedaços,
galho a galho,
perca sua beleza

Até que por fim 
só reste a mim
em meio ao campo recém adubado
pronto pra ser plantado
e, quem sabe, ser preenchido
por flores de todos os tipos
até que se torne um lindo jardim...




quarta-feira, 14 de junho de 2017

Depois

Duas semanas depois de uma crise de ansiedade

Esse é o pior horário. Onde as engrenagens do meu corpo vão desacelerando e a minha mente começa a silenciar.
Os pensamentos corriqueiros vão perdendo lugar para os mais profundos e, quando me dou conta, estou paralisada.

domingo, 11 de junho de 2017

Poema inacabado

Você é como um poema inacabado
Traz inspiração e desaparece sem nem se despedir
É como o frio em um dia de sábado
Aconchegante mas que tira a possibilidade de sentir vontade de sair

Você é como o frio na barriga em meio a um quase acidente
É a mistura do alívio de estar vivo e o medo de não existir mais
Você é como um riso sincero porém imprudente
Que faz querer rir além do que se é capaz

Você é a mistura da chuva com o sol ao fundo
É a dúvida de atravessar logo ou esperar o carro passar
Você é a noção do quão pequeno se pode ser em comparação ao mundo
E quão imenso se por dentro você conseguir se olhar

Você é a vontade de dizer sim
Você é o motivo para dizer não
Você é aquele nó na garganta ruim
Quando se lembra de um momento bom ao ouvir uma canção

Você é a mistura boa do doce e salgado
Mas que nem sempre dá certo
Você é o desejo de seguir uma aportunidade imperdível
Mas que traz consigo um futuro incerto...

Você é como um


                                                         Graciele S.Santana

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Se esvaiu

O meu eu se esvaiu
No momento em que você surgiu
Me percebi invisível ao te olhar
Como se você fosse tão fácil de notar
E eu tão menor que antes
Confesso, foi apavorante

"Você..."

Essa palavra tomou posse da minha mente
Como um castigo permanente
Onde sua vida atravessou a minha e saiu derrubando tudo
Cada muro
Que com muito custo estava erguido
Você fez tudo isso perder sentido

Acabou com o meu modo de defesa
E apesar de ainda me sentir ilesa
O medo ainda permanece aqui
Difícil de resistir
Ele se fez presente por tanto tempo
Que parece que faz parte de mim

Não tanto como você...

Espero que você nunca venha a ler
Quero dizer pessoalmente
Olhar nos teus olhos respirando rapidamente
Em um lugar lindo onde só se ouvirá minha voz:
"Não existe mais eu, só existe nós."

Ah, vai ser bonito de ver...




terça-feira, 25 de abril de 2017

Regras

Não ouse
Nem cogite
Não queira dar um passo desequilibrado
Pense com cuidado 
Cada atitude sua têm consequências
Sendo assim, siga as exigências
Quem sabe algum pedido seu seja concedido?
Acorde enquanto digo!
Preste atenção nas minhas palavras
Não será repetido não importa o que faça

Que bom que ficamos entendidos...

As regras são as seguintes:
Permanecerá ao meu lado 

como você tinha combinado 
Fará eu me sentir bem 
Não falará sobre nós a ninguém 
Nem cobrará nada que eu diga 
Não reclamará de fadiga 
Não demonstrará cansaço 
E nem que quer um pouco de espaço
A menos que eu queira, é claro
O que me faz lembrar, a minha vontade é a regra maior 
E supera qualquer regra anterior 
Então, preste atenção nas possíveis mudanças 
E não me importune com perguntas de criança
"Mas você disse isso antes, por que mudou?"
Faça-me um favor...
Quem dita as regras sou eu
Não se esqueça que foi você que me escolheu 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Eu queria...

Queria arrancar de você, tirar por completo
Limpar cada parte, do chão ao teto
Cada detalhe discreto que talvez não se possa perceber
Analisar minuciosamente, por inteiro
Procurando qualquer resíduo ligeiro
Que ainda se encontre em lugares que eu não possa ver

Jogar água abundante
Que vai limpar o restante
Das coisas que não querem sair do lugar
Se preciso, jogar novamente
Fazer até mesmo uma enchente
Até que transborde de pureza o lugar

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Mistério


Rabisco toda vez que tento 
Tremo toda vez que a coragem vem,
mesmo que por milésimos 
Me perco no pensamento
de não saber o que estou fazendo
Apago

Corrijo
Desisto
Lamento
Antes as palavras saíam de modo imperceptível
Hoje uma briga horrível
onde o eu sensível, de modo triste, perde
Acabo me calando sem perceber
Só consigo pensar no que não fazer
para que não saia do modo que não quero
Me desespero
Falar disso se tornou difícil
Missão impossível
Então, o que fazer?
Me perder novamente em seu sorriso
que não consegue deixar nem um resquício
das palavras que eu tinha em mente para dizer?
Isso é sério
Te amar anda sendo um mistério
Um passe de mágica constante
As palavras somem em um estalar de dedos
e só resta eu: um ser abobado, mas verdadeiro
que te ama agora bem mais que antes...



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Evidências

Foi no meio daquele conserto musical, sentada entre meu esposo de cabelos encaracolados e uma senhora de peruca loira que parecia não querer parar de beber, no auge da inspiração do pianista que se apresentava e não parava de sorrir, que me dei conta que havia esquecido de dar adeus à minha irmã antes de sair.


Estranho. Tantos pensamentos tão "mais importantes" e me lembrei disso?
Se por algum motivo me lembrei, por outro motivo mais forte não consegui esquecer nem por um segundo. Enquanto o conserto não acabava, não conseguia tirar da cabeça os olhos verdes da minha querida irmã Julia e como fui mal-educada por não me despedir.

Assim que acabou, corri em direção à casa do campo onde a deixara com meu filho Daniel - que por sinal, eu havia me despedido com muitos beijos nas suas bochechas com sardas. 
Desci do carro antes do meu esposo e corri em direção à porta da sala principal a fim de abraçar minha irmã assim que eu entrasse.

Quando entrei, me deparei com Daniel dormindo no tapete da sala agarrado ao nosso cachorro. O que seria bem normal se todas as luzes não estivessem apagadas... Daniel sempre teve medo do escuro.



domingo, 22 de janeiro de 2017

Correr

Hey! Cuidado.
O que tem pensado se tornou frequente demais?
Se sente sobrecarregado e, extremamente, cansado...
Não consegue fazer nada além de olhar para trás?

Sente que tudo em sua volta não faz sentido

Ou não enxerga o sentido nas voltas que o mundo dá
Se sente abatido
E pensamentos começam a chegar:
"Sigo vivendo nesse mundo esquisito
onde ninguém dá a mínima ou parece não dar..."

Apenas pare por um segundo, olhe em sua volta

Procure o motivo de sua revolta
Pense onde isso pode te levar
Pode acabar preso num lugar solitário
Como as folhas de um velho diário
Que ninguém sabe onde está

Cuidado com a força que entrega aos seus pensamentos

Cuidado com a intensidade do seu lamento
Cuidado para não perder sua paz
Quando perceber que algo te persegue
Corra o mais rápido que consegue
Até não conseguir correr mais

Pense no caminho que seguirá e  esqueça por onde passou

O passado ficará lá 
Acabou
Um passo de cada vez
E quem sabe um futuro mais feliz, talvez

Se não está satisfeito, mude o trajeto

Pode ser um caminho mais quieto ou quem sabe até secreto
Tanto faz...
O que importa é correr... 
Correr para onde você encontrará sua paz


Graciele S. Santana





sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Garotinha

Hoje sorri com os olhos tristes lembrando como um dia chorei por ser feliz demais
Amanheci sem querer levantar da cama que em uma noite, no passado, não quis deitar porque tinha algo que eu queria mais

Pensei em diversas formas de me agredir esquecendo como já fui amada
Diversos jeitos de me descrever de uma forma totalmente deturpada

Hoje, eu me olhei com os olhos que já não mais me pertecem
Os olhos da menina que vivia triste, pelos cantos, secretamente

Aquela menina voltou da forma mais dura possível
Tristeza, insegurança e baixa autoestima ela trouxe consigo

Mas, hey, garotinha, você já está livre. Pode ir agora
Um amanhecer incrível te espera lá fora...

Não tenha medo e somente confie em seus passos
Eu preciso, definitivamente, cortar nossos laços 

Não que eu não ame você, porque eu amo
Você é o que já fui, apesar de não ter estado em meus planos 

Vá, garotinha. Você precisa crescer
Vá e não me visite mais no anoitecer


Graciele S. Santana